Campo de Arroz

Quinta-feira, 25 Dezembro, 2008

Administração Intravenosa em bolus – Modelo de um compartimento

Arquivado em: Equações diferenciais, Farmacocinética, Farmacologia — Augusto Maeda @ 18:02

Considerações para o uso deste modelo

Modelo de um compartimento:

  • Corpo age como um compartimento único;
  • Pode ser usado nas situações em que a droga no sangue se equilibra rapidamente com tecidos extravasculares;

Administração em bolus:

  • Droga é administrada de uma vez no compartimento (injeção intravenosa rápida);

Processo de Eliminação:

  • A eliminação da droga é um processo de primeira ordem

Equação Concentração x Tempo

Adm IV em bolus

Adm IV em bolus

O modelo compartimental para esta situação leva a seguinte equação diferencial de primeira ordem:

\frac{dC_{p}}{dt}=-kC_{p}

onde C_{p} é a concentração plasmática do fármaco e k é a constante de eliminação.

A equação pode ser resolvida por integração direta, por ser uma equação diferencial separável:

\frac{dC_{p}}{C_{p}}=-kdt

Quando o tempo varia de 0 a t, C_{p} varia de C_{p_{0}} a C_{p} , onde C_{p_{0}} é a concentração do fármaco no tempo t=0. Logo,

\int_{C_{p_{0}}}^{C_{p}} \frac{dC_{p}}{C_{p}}=\int_{0}^{t}- k dt

(ln|Cp|)]_{C_{p}=C_{p_{0}}}^{C_{p}=C_{p}}=(-kt)]_{t=0}^{t=t}

ln(C_{p})-ln(C_{p_{0}})=-kt

ln \left({\frac{C_{p}}{C_{p_{0}}}}\right) = -kt

\frac{C_{p}}{C_{p_{0}}}=e^{-kt}

C_{p}=C_{p_{0}}e^{-kt} (1)

Determinação de parâmetros farmacocinéticos

1) A partir de dados de concentração plasmática

1.1) Determinação de k

A idéia é transformar a equação (1) em uma equação linear. Para isto, calculamos o logaritmo natural de ambos os lados da equação:

ln(C_{p})=ln(C_{p_{0}}e^{-kt})

ln(C_{p})=ln(C_{p_{0}})-kt

Vendo ln(C_{p}) como a variável dependente e t como a variável independente, a equação acima é uma equação do tipo y=\alpha + \beta x , sendo \alpha = ln(C_{p_{0}}) e \beta = -k . A partir de dados experimentais, os valores \alpha e \beta podem ser determinados com o ajuste dos dados ln(concentração)-tempo a uma reta pelo método dos mínimos quadrados. O valor de k segue imediatamente, pois

k=-\beta

1.2) Determinação de V_{d}

Primeiro, deve-se determinar a concentração da droga no instante t=0:

C_{p_{0}}=e^{\alpha}

A concentração é a razão dose por volume de distribuição:

C_{p_{0}}={\frac{D_{B_{0}}}{V_{D}}}=e^{\alpha}

V_{D}={\frac{D_{B_{0}}}{e^{\alpha}}}

1.3) Determinação de Cl

Cl = k \cdot V_{d}

1.4) Determinação de t_{1/2}

Basta considerar dois intervalos de tempo distintos t_{1} e t_{2}, sendo que:

C_{p_{2}}=\frac{C_{p_{1}}}{2} ,

onde C_{p_{2}} é a concentração plasmática em t_{2} e C_{p_{1}} é a concentração plasmática em t_{1}.

Temos então que:

C_{p_{1}} = C_{p_{0}}e^{-kt_{1}},

C_{p_{2}}=C_{p_{0}}e^{-kt_{2}}

e, portanto,

C_{p_{0}}e^{-kt_{2}}=\frac{C_{p_{0}}e^{-kt_{1}}}{2}

e^{-kt_{1}+kt_{2}}=2

k(t_{2}-t_{1})=ln(2)

Mas como t_{2}-t_{1} = t_{1/2}

t_{1/2}=\frac{ln(2)}{k}

Referência: Leon Shargel, Susanna Wu-Pong, Andrew B.C. Yu. Applied Biopharmaceutics & Pharmacokinetics. 5th edition, 2005.

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